Domingo, Janeiro 17, 2010

vergonha

Cara, que coisa ridícula. Acordei de manhã com fome e fui procurar o que tinha na geladeira. O pratinho com bolachinhas, iogurte e frutas tava quase pronto quando achei uma schweppes citrus e um curaçau blue, que imediatamente viraram a primeira refeição do dia.

...foda.

Player: Doors - Gloria




Sexta-feira, Janeiro 15, 2010

she sells sea shells on the sea shore

Eu temo o mar. Logo cedinho, o mar regurgita presentes vindos do sol que sai de cabelos molhados lá das profundezas. A areia vira uma grande árvore de natal que as boas crianças, de cima da avidez de seus merecimentos, invadem com seus dedinhos em pinça e corpos em reverentes cócoras escolhendo os melhores presentes. Os rejeitados são engolfados pelo areal em pouco tempo, não sobrando nada pras crianças dorminhocas. O mar não gosta de quem dorme. E suas conchinhas quebradas são levadas sabe-se lá pra onde. Talvez pro fundo do mar, onde quiçá sirvam de adorno a criaturas também quebradas que só a água, maternal, acolhe. O brilho da areia recém banhada tem qualquer coisa de haute couture. A água rasante cintila da areia revolvida pelo bochecho contínuo das ondas quebrando suaves. E suavemente as ondas me devolvem, cuspindo, à terra. Contínua e suavemente. A grande boca que é o mar não deseja engolir minha pequenez. E eu temo o mar como temo a imensidão, mas a imensidão generosa, desta vez, não me tragou em sua absolutez inequívoca, imperiosa: generoso e imenso. Eu temo o mar.





Sábado, Dezembro 26, 2009

?

que porra é essa com o Blogger?



Quarta-feira, Dezembro 16, 2009

with their fully automatics

A hora do turning point é agora. Sob pena de ir tudo água abaixo.

Player: System of a Down - Deer Dance




Terça-feira, Novembro 17, 2009

Screw me once, shame on you

O ascendente Escorpião ainda me assusta, às vezes. Esses dias estava pensando, todos merecem uma segunda chance. Ninguém merece uma terceira. e percebi o quão escorpiana tinha sido essa afirmação.

Será que eu vou ficar amarga assim? Será que eu vou mesmo descobrir que a humanidade não tem conserto e eu me salvo se puder?

Ok, isso foi pieguice.

Ao fim e ao cabo, eu também não tenho conserto.
de você eu não me salvo...
Player: Andrew Bird - Heretics




Sexta-feira, Novembro 13, 2009

Statements #456789045678934567


#1 "every good boy deserves fruit"
...e eu te amo.
#2 "there's a face in the space"
...e eu te amo.
#3 "good birds don't fly away"
...e eu te amo.
#4 "all cows eat grass"
e eu continuo amando.
só isso. obrigada.

Player: Radiohead - Last Flowers




Domingo, Novembro 08, 2009

The Ultimate Misery

Ok. Vir desabafar no blog é provavelmente o passo final no reconhecimento de que sua vida é ridícula.

Acho que meu chuveiro queimou. Eu não vou tomar banho no outro banheiro porque detesto mudanças. Fico suja enquanto puder.

Eu queria dizer que hoje poderia ser um dia diferente, mas eu fico apavorada de pensar que as coisas podem se desequilibrar mais do que já estão. No momento, há um afinamento muito frágil entre as dinâmicas na minha vida, e isso garante que eu permaneça viva. Mesmo sendo uma vida ridícula.

Estou começando a pensar que, talvez, eu não queira mudanças porque tenho medo de adicionar eventos ao meu histórico. As coisas marcam o tempo. E mostram que eu estou cada vez mais longe do tempo em que eu achava que fosse feliz. Daí eu só participo de eventos se eu estiver muito, muito bêbada, porque daí eu só tenho lembranças de sonho e parece que eu andei dormindo, só dormindo. E eu posso voltar pro aconchego da minha miséria assim que acordar no dia seguinte.

Saudade. Eu já chorei muito por saudades na vida. Aliás, eu tenho um péssimo hábito desde pequena de ter o coração espalhado por aí. De estar sempre meio vazia nesse copo. Mas essa saudade descontrolada, irracional e infundada tem me irritado profundamente. Eu estou de saco cheio de ouvir minhas próprias lamentações o dia todo. Eu tenho as ganas de me pegar pelo pescoço e dar uns tapas na minha cara. Odeio gente burra. Isso explica por que não tenho me tolerado ultimamente.

Mas, sei lá. Resolvi encarar, vai. Ou fingir que tento. Se os pratos desequilibrarem, eu me mato de uma vez, pronto. Ou mudo. Ou sei lá. Eu não vou nem fingir que eu vou ser capaz de aguentar mudanças; eu não vou nem fingir que eu sou capaz de viver mudanças agora. Eu sei que vou ficar mais miserável do que estou agora. Eu sei que admitir que eu não tenho nenhuma esperança vai ser fatal.

Mas minha vida é ridícula, então que seja logo.
sem você é tudo inferno do mesmo jeito.
E vou tomar banho. Frio.

Player: Clinic - Family




Quinta-feira, Outubro 29, 2009

pieces

Ela não conseguia lembrar o que fazer quando o garçom puxou a cadeira. Os olhos, mais redondos agora que perderam o lápis habitual, se lançaram nervosamente à cadeira, finalmente parando semi-trêmulos no garçom. Acho que eu nunca soube me comportar, pensou, bem que mamãe dizia. O moço limpo - garçons de restaurantes chiques sempre parecem tão limpos, não? - caiu bondosamente a cabeça em direção à cadeira. Oh, claro, obrigada, trocando a minúscula bolsa entre as mãos várias vezes antes de se sentar. As eternas noites e dias revirando-se na cama desacostumaram seu corpo à solidez angulosa da cadeira. Dar nome às coisas é dar vida a elas, isto é um garfo, isto é uma taça. Oh, as velas também, é claro, e a voz do garçom espiralou. Hoje era um dia especial, é claro que ela queria pedir alguma coisa. Alguma coisa cara, para que essa fosse a grande data do mês apertado. Mas isso ela não disse. Tentando soar natural, apesar do visível desconforto de ter os pés e a cabeça em planos horizontais diferentes, pediu o vinho da casa. Ela não entendia absolutamente nada sobre vinhos, e algo no roçar da toalha de mesa com suas pernas, enquanto as descruzava desajeitadamente, a deixou constrangida - como sempre deixava. Se apressou em tentar pela milésima vez decorar a ordem dos garfos à mesa e evocar qual taça se usa para qual bebida. Censurou-se por ter esquecido as pétalas de rosa. Queria impressionar com seu bom-gosto, mas o seu pescoço rígido somado a seus olhos assustados passariam a impressão de que havia algo de penoso em estar ali.

Mas é claro que não havia. Hoje era um dia muito especial. A mesa era para dois e ela brincava com o fecho da bolsa. Tinha problema de pressão, a família toda tinha. Ele também tinha, ela lembra quando ele quase desmaiou no chão da cozinha, todo gelado, enquanto ela metia-lhe sal na boca como se fosse a sua própria. Tinha cortado a mão fazendo algo para ela e o sangue dele era tão bonito, escorrendo em bicas, vermelho no sol do domingo. Ela amava aquele sangue porque ele escorria e pingava e isso tinha algo de espetacular. Tudo que fluísse dele o tinha. Na taça, sabe-se lá qual delas, escorria o vinho tão desinteressante à memória daquele sangue abundante. Ralo, ela murmurou, desapercebida do garçom ao seu lado que se limitou a franzir um pouco a testa. As velas já estavam acesas, o fogo bruxuleava, porque bruxulear é algo que só o fogo pode fazer. Beliscou uma das torradas em cima da mesa, a pressão baixava muito. Tinha medo de passar mal, era um dia muito importante. Mordiscou com o cotovelo em cima da mesa, distraída. Já não comia há alguns dias, estava ficando igual a sua mãe. Ela também se recusava a comer quando estava triste. Mas hoje ela comeria, porque era hoje. Ela ia dizer tudo.

Olha, eu sei o que você esteve pensando. Você pensou que eu fui infantil e difícil em vários momentos, mas não é bem assim. Eu só queria seu bem e você sabe disso. Ao fim e ao cabo você se recusou a se sacrificar por si, como sempre fez. E de repente a culpa é minha, porque eu sou muito exigente. É claro que não. Eu sei que você agora tem saudades daquela lerda que você deixou, porque ela era lerda, não se preocupava. Eu só me preocupo, entendeu? Como se fosse meu sangue escorrendo. Como se eu fosse o sangue escorrendo. E você agora acha que está muito melhor, mas eu sei que você se arrepende. Não se arrepende? Não precisa dizer, eu sei que sim. Eu não sou tão orgulhosa quanto você, eu confesso que tenho saudades. Morro de saudades. Sonho com você o tempo todo e lembro dos nossos momentos bons. Você não gosta realmente dela, gosta? Gosta? Diz que não, pelo amor de deus. Volta. Por favor. Volta por favor. Aliás, não sei nem por que você foi. Eu nunca quis. Volta. Eu te amo. Eu me sinto morta, fechada, enterrada em mim. Sem você eu não sei...
Mas o castiçal nem deu bola. Continuou bruxuleando.

Seus soluços agonizaram orquestrados pelo farfalhar triste da vassoura que recolhia uns pedaços de taça e de coração.






Sábado, Outubro 24, 2009

Mirror, mirror

Um fato: quanto mais triste eu estou, mais bonita eu fico. Se eu lembrasse como sorrir, ah, hoje mesmo o mundo seria diferente...

Player: Weezer - Say It Ain't So




Quarta-feira, Outubro 21, 2009

Not With Ease II

...mas para que eu continue aqui, algumas coisas terão que sair.
quem desperdiçou tudo foi você...
Player: Sunny Day Real Estate - Guitar and Video Games




Terça-feira, Outubro 20, 2009

Not With Ease

Eu ainda estou aqui. Eu ainda estou aqui? Eu ainda estou aqui! Juro que não foi pra abusar dos recursos. É que eu ainda estou aqui e não acredito nisso.

Não sei se isso é fundamentalmente desagradável, mas agradar é que não agrada. Não agora. Pra sempre, talvez. Ai, eu tinha uma idéia tão mais gostosa do "pra sempre".

Foi tipo sair da Chácara do Jockey. Show do Radiohead. Something big has just happened. Meu Deus, eu não sei mensurar isso. E de todo modo, não fomos feitos para mensurar isso. ο άνθροπός ειναι τών πάντων μέτρον. E isso não era uma coisa de gente. Too much, too bright, too powerful. Aquelas luzes todas na minha frente e aquele metro-e-meio de libriano com olhinhos tortos que guiaram minha vida tortinha, tortinha. I'm amazed that I've survived.

Mas eu ainda estou aqui. Something big is gonna happen - over my dead body. Mas eu ainda não morri, olhem isso! Então na verdade nada vai acontecer. Só parecia que poderia. Eu estava pra transcender mas foi uma mentirinha bem contada. A gravidade puxa a gente pra baixo, vocês já viram? O que não me conformo é que só existe o "baixo" porque a gravidade tá aí. E é assim que tem que ser.

Eu ainda estou aqui.
eu amo um homem morto.
Player: Radiohead - Polyethylene




Domingo, Outubro 11, 2009

time for miracles

É querer estar preso por vontade;
É servir a quem vence, o vencedor;
É ter com quem nos mata lealdade.


A Lyanna disse que meu blog era muito melhor quando eu não tinha nada pra fazer e escrevia um monte. E que parecia que eu passava duas horas por dia só pensando num post. Bom, isso realmente acontecia, mas quanto à qualidade receio não concordar, rs.

Ela me disse isso sentada à escrivaninha roubada do banco, com um monte de coisa que não faz sentido e muito parafuso. Peguei ojeriza a parafuso em móvel. Peguei também músicas do Little Joy, e daí veio mais um monte de ojeriza. Pegaram músicas do Andrew Bird de mim e também um monte de ojeriza. E a alegria? Bem pequena mesmo. Sem sentido e com uns parafusos a menos. Eu tinha certeza que o Andrew Bird ainda iria acabar com minha vida. Mas eu imaginava que ele acabaria com minha vida quando eu o pegasse. Mas tá aí, ó. Tô fodida e nada de pegar Andrew Bird. Ê, laiá... pobre se contenta com pouco mesmo. Não que não fosse tudo que eu queria. Enfim... Andrew Bird, venha pedir desculpas pelo estrago que fez. Pelado.

O fofo do Luiz acha o Andrew Bird mó bonitão. Só eu, ele e minha mãe, até onde eu sei. Mas minha mãe tá muito ocupada enchendo meu saco pra ter tempo de pegar o Andrew Bird. Eu, como tou bem desocupada...

Meu pai acha muito engraçado, com o humor estranho dele, ver a história se repetindo. Os corações de pais e filhos exauridos numa só coisa, e cada um com a sua, que simplesmente os destrói. Eles sobreviveram, pelo menos. Bom, ele acha graça em me mandar por email fotos de sua colonoscopia. E eu acho graça em salvar aquilo nas fotos do meu iPod. É uma família de doido mesmo.

Eu esqueci meu sapo em sampa. Fiquei triste. Mas dá mó aliteração massa.

Minha musicoterapeuta diz que eu sou muito controladora. Ela é que é muito libriana.

O Rodrigo continua na mesmíssima onda de dizer que eu sou uma louca porque meus relacionamentos são obsessivos e doentios. Mas depois desses 7 anos ele resolveu simpatizar com isso - na verdade, empatizar com isso - e não tratar isso como uma doença. Mas deveria. Porque agora eu tou doente mesmo.

O Renato diz que só pra mim mandaria uma coisa dessas. Realmente, ele tem um senso de humor tão ariano que é difícil acreditar que ele é bicha.

A Rottweiller da minha irmã senta quando a gente pede. Mas é mercenária como minha irmã: só quando a gente oferece biscoito pra cachorro.

E a vida tá assim. Intervalos comerciais de um drama reprisado. Alguém por favor me jura que vai ter final feliz pra mocinha.
Eu sempre tive medo daqueles casais que a gente torce pra ficar junto no filme e que no meio do caminho conhecem outras pessoas, sabe. E a gente fica feliz quando o casal original fica junto e sempre despreza as pessoas do meio do caminho, como pedras drummondianas da felicidade cinematográfica. Eu tou com medo de ser uma dessas pedras. Deus, por favor, deixe eu ser a mocinha. Daquelas que ficam felizes mesmo.

Eu me lembro de uma rede, de uns gansos, de umas vacas, de cheirar o perfume das flores de vitórias-régias. E de uns braços e pernas e troncos unidos pela gravidade, pelo céu azul, pelo ar mais puro de São Paulo. Eu me lembro de ser tão feliz. Mas tava tocando Stars of Track and Field e eu senti uma angústia, um medo daquela perfeição. Será que agora tá melhor, quando o que eu temia é real?
se eu pudesse te amar mais... eu não poderia.
Player: Belle & Sebastian - The Stars of Track and Field




Sábado, Outubro 10, 2009

don't make me choose between rhyme or reason

Antônia, você é engraçada. Você parece louca.
...pra sempre sua lagarta listada...
Player: Andrew Bird's Bowl of Fire - 11:11




Sexta-feira, Outubro 02, 2009

Alavanca

Dê-me um ponto fixo e moverei o mundo.
Dê-me amor de verdade e mudaremos tudo.
Player: Andrew Bird - Action/Adventure




Quinta-feira, Outubro 01, 2009

conclusions

Ai, a mendicância de vida. As pequenas frustrações vistas de Vênus.

Player: Radiohead - Faust Arp




Sexta-feira, Setembro 25, 2009

the eternal sunshine

of a spotless mind wannabe





Quarta-feira, Setembro 23, 2009

superestimando a organização

Raísa, acho que tá aqui.

Beijos,

Player: Radiohead - Backdrifts




Sábado, Agosto 15, 2009

Updates #2
Afrodite: por favor, se não for ajudar, não atrapalhe. Obrigada.
E por que raios eu reclamava do soneto? Ele era tão bonzinho. E por que a sensação de morrer sem ele? Desde quando uma pessoa pode ser o rumo da vida de outra?
Acho que vou voltar a querer o intangível só pra manter a dor bem misturada na multidão de dias. E como eu vou precisar dos dias...

Player: Mates of State - Fluke




Segunda-feira, Julho 27, 2009

Updates

Quanto ao post de 21/07: a emenda saiu pior que o soneto. Mas vamos tomar a atitude certa desta vez. Fingir que a mente controla o corpo e o coração. Sejamos racionais. Pagar os pecados em grande estilo.
Player: Radiohead - India Rubber




Sexta-feira, Julho 24, 2009

recall

Pois é. Andei tirando umas radiografias dos meus dentes. A última que vi, a panorâmica, me fez gritar pra minha mãe:

- Ma que mundiça é essa?!

Fiz um gráfico do que essa exclamação representa, caso tenham tomado as ofensas por minha genitora.


Dentes normais:
Meus dentes:


Legenda:
O - dentes anômalos
X - dentes congenitamente ausentes (sim, isso mesmo que você leu)
* - alguns dentes, 3 mais especificamente, ainda são substituídos pelos respectivos decíduos (dentes de leite), que até hoje não caíram (graças a zeus). Mas esses decíduos são frágeis e eu devo ficar em breve banguela.

- Mãe, tem certeza que não tá na garantia?

Estou esperando o recall, ok?

Player: Radiohead - Lull